Bicicletas elétricas e scooters ganham espaço na cidade de SP, e uso de bikes tradicionais cai
G1 · 20 de agosto de 2026
O número de viagens com bicicletas elétricas e scooters cresceu 10 vezes em São Paulo em três anos. Já o uso de bikes tradicionais caiu cerca de 7%. Pesquisas indicam que metade dos usuários de veículos autopropelidos migrou do transporte público. Especialistas alertam que isso pode encarecer a tarifa de ônibus no futuro. A meta de atingir 1.000 quilômetros de malha cicloviária foi adiada pela prefeitura. O plano original de 2024 agora está previsto para o fim de 2028. O número de mortes de ciclistas na capital paulista subiu 28% de janeiro a julho. No total, foram registradas 18 vítimas fatais no período estudado
Levantamento feito em ciclovias e ciclofaixas mostra que viagens com bicicletas convencionais caíram 7% em três anos, enquanto uso de elétricas e veículos autopropelidos aumentou mais de dez vezes; especialistas apontam falta de espaço e riscos no trânsito.
Por Laura Cassano, TV Globo e g1 SP — São Paulo
A quantidade de bicicletas elétricas e dos chamados veículos “autopropelidos” vem aumentando nas ruas de São Paulo. Um levantamento feito pela ONG Ciclocidade, com apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), mostra que o número de viagens com bicicletas convencionais caiu 7% nos últimos três anos na capital.
Os dados apontam uma redução de 36,5 mil para 33,75 mil viagens com bicicletas tradicionais — queda de 7,53%.
Na contramão, as viagens com bicicletas motorizadas e veículos autopropelidos, como as scooters elétricas, aumentaram mais de dez vezes no mesmo período: passaram de 703 para 7.268, um crescimento de 10 vezes.
O advogado Luiz André Azevedo, que utiliza diferentes meios de transporte, defende a convivência entre bicicletas tradicionais e elétricas.
“Os dois são modais que SP precisa. O que puder fazer para escapar do trânsito está valendo”, disse.
A Ciclovia da Faria Lima é a mais movimentada da capital, e o Largo da Batata há anos se tornou referência, como ponto de apoio para os ciclistas.
No local, voluntários ensinam a andar de bicicleta e fazem reparos rápidos, como trocar um pneu. Mas as atividades estão mais esporádicas.
“É uma pena. Precisava ter um sistema, né? Vários pontos para que a gente conseguisse andar cada vez mais”, disse Victor dos Santos, engenheiro civil.
Para o estudante Guilherme Souza Ramos, também falta espaço para quem pedala. “Eu acho que falta espaço para o ciclista, sim”, afirmou.
A malha cicloviária da cidade também não avançou como o prometido. A meta era chegar a mil quilômetros de ciclovias e ciclofaixas até 2024. Agora, a Prefeitura prevê atingir esse número até o fim de 2028.
Atualmente, são cerca de 750 quilômetros exclusivos para bicicletas.
Especialistas em mobilidade defendem uma espécie de regra não escrita no trânsito: a de que o maior protege o menor.
Na prática, o ônibus deve cuidar do carro, que deve prestar atenção no ciclista, que, por sua vez, também deve dar preferência ao pedestre.
Mas, em uma cidade onde falta espaço para quem pedala, essa lógica pode ficar desorganizada.
Um exemplo recorrente está nas Marginais Pinheiros e Tietê. As bicicletas são permitidas na pista local, mas não podem circular nas pistas central e expressa.
Na pista expressa, até as motos são proibidas. Mesmo assim, são vários os flagrantes de ciclistas pedalando entre os carros, em alta velocidade. A maioria segue em pelotões, mas também há quem se arrisque sozinho.
“É muito arriscado. Muito complicado. Muitas coisas para você ficar prestando atenção”, disse Renato Bernardin, empresário.
Segundo ele, quem pratica ciclismo com bicicletas do tipo speed precisa manter um ritmo constante.
“O ciclista de bike speed gosta de manter um ritmo constante. Você andar em ciclovia, você quebra muito o ritmo. Para quem está em treino, isso é muito prejudicial”, afirmou.
Mortes de ciclistas aumentam
Neste ano, houve aumento de 28% no número de mortes de ciclistas na capital. Foram 18 vítimas entre janeiro e julho.
Para Mateus Humberto, é preciso reduzir a velocidade e aumentar o cuidado, principalmente por parte dos usuários de veículos motorizados.
“A nossa cidade precisa de mais calma. Principalmente para os motorizados, né? Que têm que cuidar das pessoas que são o próprio chassi, né? A gente pode perder a nossa própria vida por conta desse colapso da mobilidade que a gente tem vivido, e muito com base na motorização crescente da nossa vida, né?”, afirmou.
A regra básica para um trânsito mais seguro, segundo os entrevistados, não depende de ser especialista em mobilidade.
“A educação e o respeito para todos ajudam no dia a dia. Tanto na ciclovia quanto no trânsito”, disse Yasmin Rufino, empresária.


